Por Visual News Noticias
Desde o início do governo, a equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o Congresso Nacional colecionam recuos e ruídos em assuntos relacionados à reforma da Previdência.
As polêmicas vão desde a definição de uma idade mínima até a instalação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e a escolha do relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição).
No caso mais recente, uma tensão entre o governo e o Congresso ameaça a própria reforma.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, convidado para participar de uma audiência pública na CCJ, desistiu de comparecer e enviou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, para substituí-lo.
Uma crise política se instalou na relação entre o Executivo e o Legislativo desde a semana passada, com troca de acusações nas redes sociais e na imprensa.
O estopim para a crise foi uma publicação nas redes sociais feitas pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente. Após sofrer cobranças do ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre andamento de seu projeto anticrime, Maia foi alvo da ironia de Carlos.
A partir dessa fissura, líderes partidários e bolsonaristas inundaram a imprensa e as redes sociais com acusações e indiretas.
Em nota oficial, o Ministério da Economia informou que a ida de Guedes ao colegiado "será mais produtiva" quando o relator da matéria for definido.
Diante da desistência de Guedes, a oposição recolheu assinaturas para votar um requerimento de convocação, que foi acatado pelo presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR)
Após um acordo de líderes, a CCJ decidiu convidar novamente Guedes para participar de uma audiência pública na quarta-feira da semana que vem (3). Caso ele desista novamente de participar, será automaticamente convocado pelo colegiado. Nesse caso, ele fica obrigado a participar da reunião.
A definição da proposta de idade mínima também é motivo de ruídos e recuos desde o início do governo. A equipe econômica entrou em atrito diversas vezes com a ala política da gestão de Bolsonaro.
Enquanto Guedes e outros técnicos do Ministério da Economia defendiam uma idade mínima igual para homens e mulheres, Bolsonaro afirmou, em entrevista, que considerava 57 anos para mulheres e 62 para homens.
O próprio secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou à imprensa que a definição da idade mínima teria sido alvo de divergência entre o presidente e a equipe econômica.
De acordo com Marinho, Guedes queria uma idade mínima igual para homens e mulheres, de 65 anos, e um período de transição de dez anos. O presidente preferia 65 para homens e 60 para mulheres, com um período de transição mais longo.
Os problemas não pararam por aí. Após definir uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres na proposta de reforma da Previdência, Bolsonaro sinalizou que poderia rever esse e outros pontos, como as mudanças sugeridas no BPC (Benefício de Prestação Continuada).
A fala do presidente repercutiu negativamente no mercado financeiro e entre auxiliares e parlamentares da base aliada. A avaliação foi de que o presidente se precipitou, porque o debate sobre o texto ainda não tinha começado no Congresso.
Os problemas para a tramitação da reforma também tiveram origem no Legislativo. Em fevereiro, após eleito mais uma vez presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) declarou que trabalharia para instalar a CCJ antes do carnaval, para dar celeridade ao trâmite da proposta.
Entretanto, o colegiado só foi instalado em 13 de março, e Francischini foi eleito presidente. Ele prometeu definir um calendário de votações na semana seguinte, mas isso não ocorreu.
As datas para apreciação da proposta não foram cumpridas e nem o relator foi escolhido até o momento. Francischini disse que a escolha do nome é uma prerrogativa dele e que será feita após um debate com o governo.
uol
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